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Conhecimento para desconstruir estereótipos ligados ao Islã

Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto
Paulo Gabriel Hilu da Rocha Pinto
Coordenador de pesquisa de pós-graduação em Antropologia e do Núcleo de Estudos sobre o Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense, de Niterói. Na instituição, trabalha com três linhas de pesquisa: estudo do Islã na Síria, estudo do Islã no Brasil e estudo da identidade árabe no Rio de Janeiro. É graduado em História, além de Medicina, tem mestrado em Antropologia da Ciência e Ensino e doutorado em Antropologia, com enfoque em Islã e Sufismo. Nascido em 1968, é de origem árabe, além de portuguesa, e morou na Síria entre os anos de 1999 e 2001. Tem três livros publicados.
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O curso Islã: religião e civilização foi realizado no Rio de Janeiro, entre 14 de setembro e 5 de outubro. A atividade, que abordou temas como as diferentes configurações religiosas ligadas ao sunismo, xiismo e sufismo, reformas religiosas e militância política, foi organizada por Paulo Hilu da Rocha Pinto, professor do Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense e coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio/UFF.

Leia a seguir uma entrevista com o Professor Paulo Hilu sobre o curso.

O curso Islã: religião e civilização apresentou um panorama histórico e também político. De que maneira a iniciativa pode ajudar a desfazer mitos e preconceitos em relação ao Islã?

Sim, cursos como o Islã: religião e civilização, que são abertos à todos os que se interessem pelo assunto, têm um papel importante em permitir que o conhecimento acadêmico sobre o islã. Como o saber acadêmico  procura desconstruir idéias pré-concebidas e representações simplificadoras ou estigmatizantes, isso com certeza permite que visões mais embasadas na realidade social e cultural das comunidades e sociedades muçulmanas possam circular na sociedade.

Quais são as principais confusões e equívocos em relação à religião islâmica difundidos pelo senso comum e pelos meios de comunicação comerciais?

Sem dúvida o pior estereótipo sobre o islã é a associação generalizadora entre islã e terrorismo ou formas de opressão do sujeito. Não que não existam grupos ou fenômenos sociais que possam ser ligados a essas representações, mas violência e opressão existem em todas as tradições religiosas e não podem ser indiscriminadamente associadas a todos os muçulmanos.

Como foi a procura pelo curso? Qual é o tipo de  público que demonstrou mais interesse na atividade? 

A procura foi bastante boa, com muitos inscritos. O público do curso tem uma formação muito variada, de pessoas da universidade a profissionais liberais ou do serviço público.

A informação de que o Islã é a religião que mais ganha adeptos no mundo é verdadeira?

Na verdade essas afirmações "espetaculares" são meras estimativas, mas pode-se dizer que o islã e o cristianismo (ambos divididos em diversas correntes e grupos) têm tido uma grande expansão nas últimas três décadas

Recentemente foi exibido em São Paulo um documentário que trata do crescimento da religião islâmica entre jovens brasileiros, especialmente na periferia de grandes centros urbanos. A que se deve esse movimento? 

Esses jovens convertidos seguem o padrão de conversão ao islã que analiso em meu livro, "Islã: religião e civilização", pois são artistas, intelectuais e militantes periferia, que possuem um alto capital cultural ligado a militância política e no Movimento Negro. Assim, não se trata realmente de uma mudança no padrão sociológico da conversão ao islã no Brasil, que geralmente envolve pessoas de classe média e/ou com alto padrão de capital cultural.

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Ana Maria Straube

Comentários

Boa noite professor Paulo,

Boa noite professor Paulo, pois tenho formação acadêmica em Letras (português-árabe) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e gostaria mundo de apronfudar-me em estudos islâmicos, em especial, o período pré-islâmico.Há algum curso na UFF que retrata este tema?Desde já meus agradecimentos.Alex Bonifacio, alexbonifacio2005@ig.com.br.

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