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Entrevistas

A Vida e a Obra de Aziz Ab’Sáber

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Eleito intelectual do ano em 2011, Aziz Ab’Sáber, presidente de honra do Instituto de Cultura Árabe, conta sua trajetória e suas conquistas em uma série especial preparada em sua homenagem (leia mais).

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IV Fórum das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações por um mundo melhor

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No evento, que contou com a presença de 200 mil participantes de 130 países, o ICArabe foi representado pelo seu diretor de relações nacionais e internacionais, o cientista político José Farhat.

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Documentário aborda direito de retorno dos refugiados palestinos

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Sob a direção de Hasan Zarif e com o apoio do ICArabe e outras organizações, média-metragem será lançado em novembro.

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Documentário aborda o conflito Israel-Palestina sob a ótica do futebol

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Dirigido por quatro brasileiros, "Sobre Futebol e Barreiras" acompanhou a Copa do Mundo de Futebol de 2010 nos territórios ocupados e discute a questão palestina tendo o esporte como pano de fundo. O filme será exibido na Semana do Povo Palestino, que acontece entre 25/11 e 1/12.

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Exposição homenageia o centenário de nascimento de Azor Feres

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Entre os dias 24 de novembro e 4 de dezembro, o Clube Atlético Monte Líbano exibirá obras do pintor e advogado, filho de libaneses. Nesta entrevista, Carim Feres, filho de Azor, conta detalhes da vida do artista e de sua paixão pela pintura.

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Processo de paz entre Israel e Palestina está paralisado

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O conflito Israel Palestina será um dos temas abordados pelo curso
"Mundo árabe - conjuntura atual e perspectivas", que começa na próxima
quinta-feira, 27 de outubro. Leia aqui a entrevista com o Prof. Salem Nasser, que ministrará aula sobre a questão.

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As perspectivas da relação política entre Brasil e Oriente Médio

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Uma das aulas do curso "Mundo árabe - conjuntura atual e análise de cenários", que começa em 27 de outubro, será dedicada ao tema "Brasil e Oriente Médio, os caminhos da política externa brasileira". Nesta entrevista, a Profa. Cristina Pecequilo (Unifesp) adianta algumas das questões que serão abordadas.

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Conhecimento para desconstruir estereótipos ligados ao Islã

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Conhecimento para desconstruir estereótipos ligados ao Islã
O curso Islã: religião e civilização foi realizado no Rio de Janeiro, entre 14 de setembro e 5 de outubro. A atividade, que abordou temas como as diferentes configurações religiosas ligadas ao sunismo, xiismo e sufismo, reformas religiosas e militância política, foi organizada pelo Professor Paulo Hilu da Rocha Pinto, professor do Programa de pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense e coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio/UFF.
Leia a seguir uma entrevista com o Professor Paulo Hilu sobre o curso.
1. O curso Islã: religião e civilização apresentou um panorama histórico e também político. De que maneira a iniciativa pode ajudar a desfazer mitos e preconceitos em relação ao Islã?
Sim, cursos como o Islã: religião e civilização, que são abertos à todos os que se interessem pelo assunto, têm um papel importante em permitir que o conhecimento acadêmico sobre o islã. Como o saber acadêmico  procura desconstruir idéias pré-concebidas e representações simplificadoras ou estigmatizantes, isso com certeza permite que visões mais embasadas na realidade social e cultural das comunidades e sociedades muçulmanas possam circular na sociedade.
 
2. Quais são as principais confusões e equívocos em relação à religião islâmica difundidos pelo senso comum e pelos meios de comunicação comerciais?
Sem dúvida o pior estereótipo sobre o islã é a associação generalizadora entre islã e terrorismo ou formas de opressão do sujeito. Não que não existam grupos ou fenômenos sociais que possam ser ligados a essas representações, mas violência e opressão existem em todas as tradições religiosas e não podem ser indiscriminadamente associadas a todos os muçulmanos.
 
3. Como foi a procura pelo curso? Qual é o tipo de  público que demonstrou mais interesse na atividade?
 
A procura foi bastante boa, com muitos inscritos. O público do curso tem uma formação muito variada, de pessoas da universidade a profissionais liberais ou do serviço público
4. A informação de que o Islã é a religião que mais ganha adeptos no mundo é verdadeira?
Na verdade essas afirmações "espetaculares" são meras estimativas, mas pode-se dizer que o islã e o cristianismo (ambos divididos em diversas correntes e grupos) têm tido uma grande expansão nas últimas três décadas
 
5. Recentemente foi exibido em São Paulo um documentário que trata do crescimento da religião islâmica entre jovens brasileiros, especialmente na periferia de grandes centros urbanos. A que se deve esse movimento? 
Esses jovens convertidos seguem o padrão de conversão ao islã que analiso em meu livro, "Islã: religião e civilização", pois são artistas, intelectuais e militantes periferia, que possuem um alto capital cultural ligado a militância política e no Movimento Negro. Assim, não se trata realmente de uma mudança no padrão sociológico da conversão ao islã no Brasil, que geralmente envolve pessoas de classe média e/ou com alto padrão de capital cultural.

O curso Islã: religião e civilização foi realizado no Rio de Janeiro, entre 14 de setembro e 5 de outubro. A atividade foi organizada por Paulo Hilu da Rocha Pinto, professor do Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense e coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio/UFF.

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Na fila da cidadania

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Na fila da cidadania
Ativista pelos direitos da mulher diz que as sauditas cansaram de ser tratadas como ‘crianças irresponsáveis’
02 de outubro de 2011 | 8h 29
Carolina Rossetti
Wajeha Al-Huwaider é uma ativista da emancipação feminina no país com as leis mais restritivas às mulheres do mundo, a Arábia Saudita, onde elas não podem abrir conta em banco, aceitar emprego, assinar contrato de aluguel ou viajar sem a autorização de um homem. 
Mulheres aguardam do lado de fora de um cartório eleitoral em Riad   foto: Fayez Nureldine/AFP
A fundadora da Sociedade de Defesa dos Direitos da Mulher na Arábia Saudita comemorou o ato inédito do rei Abdullah de dar direito de voto às mulheres, mas insiste que é pouco. "Somos tratadas como crianças irresponsáveis. Todos os aspectos da vida são controlados. A exclusão do processo político é apenas o começo dos nossos problemas", disse ela, ao Aliás, por telefone, da cidade de Daharan, onde mora e trabalha na empresa de petróleo Aramco.
Wajeha ficou conhecida internacionalmente quando, em 2008, liderou uma campanha para anular o casamento de uma menina de 8 anos com um homem de 50. Ela fez um vídeo no YouTube denunciando a união, que foi parar na CNN. Em 2008, foi uma das primeiras a postar um vídeo em que aparece dirigindo. Nessa entrevista, ela explica por que o direito de conduzir se tornou a principal bandeira de luta das mulheres no país.
Wajeha foi criada numa família liberal saudita. Sua mãe era a única que deixava a filha andar de bicicleta, o que as amigas não podiam fazer, pois poderia "lhes custar a virgindade". Aos 7 anos, teve as pernas amarradas por uma professora e apanhou com um pau porque fugia para jogar futebol com os meninos. "Sempre fui a diferente, e continuo." Divorciou-se assim que o marido veio com a conversa de que queria uma segunda esposa. Há anos não usa preto nem cobre o rosto. "Sou a única que veste rosa por aqui. É para mostrar às sauditas que nossa vida pode ter muito mais cor".
Como repercutiu na Arábia Saudita o inédito direito de voto para as mulheres?
Foi um discurso bem feito pelo rei Abdullah e a notícia foi bem recebida por nós, mas é só uma promessa para 2015, o que é frustrante. Não sabemos nem se será cumprida. De toda forma, eleições na Arábia Saudita não são grande coisa, porque metade dos cargos é apontada pelo rei. Os conselheiros não têm poder de fato, não podem mudar leis ou sugerir políticas, apenas escrevem recomendações ao rei. Mas é assim que funciona a política na Arábia Saudita. O país não é do povo, é de uns poucos homens que nunca foram eleitos. O sufrágio universal é uma conquista importante, mas apenas o começo. Estranhei terem ressuscitado o caso de Shaima Ghassaniya dois dias depois do anúncio do voto. Pegou mal e o rei teve que intervir cancelando a sentença das chibatadas, o que, aliás, não é uma pena comum aqui.
Por que o direito de dirigir parece ser a principal causa de mobilização das sauditas?
Porque não há nenhuma lei que diga que não podemos dirigir, só o que nos impede é a tradição. Há uma fatwa, um pronunciamento religioso, que diz que mulheres não podem conduzir, mas em tese ela pode ou não ser seguida, quem decide é a família. Em 1991, 47 mulheres fizeram um protesto em Riad que repercutiu muito e durante um curto período elas puderam dirigir. No interior podemos dirigir, mas na cidade grande, não. Dirigir aqui é tão importante porque, sem isso, não podemos ir para a escola, para o trabalho, fazer compras. Nossas cidades são construídas de modo que o carro é muito necessário. Não temos um transporte público desenvolvido, então não podemos depender dos �?nibus, poucos e caindo aos pedaços. Resta-nos contratar motoristas, geralmente imigrantes da Índia, Sri Lanka e Indonésia dos quais nada sabemos. Somos obrigadas a aceitá-los em casa, conduzindo nossa vida. Eles exigem salários altos, moradia e seguro-saúde, tudo muito caro, p ois sabem que se forem embora a vida da mulher fica suspensa. Muitas têm que deixar o emprego porque não podem manter um motorista, ou pedir licença sem remuneração até conseguir outro. Somos obrigadas a depender de estranhos. Dirigir virou uma bandeira nossa porque, de todos os países do mundo, só na Arábia Saudita existe essa proibição.
Há protestos semelhantes em relação a outros direitos negados?
A "lei do guardião" é ainda pior porque não é só tradição, é uma medida oficial difícil de ser mudada. A saudita precisa ter um homem a tiracolo para tudo na vida. Sem um acompanhante, seja marido, filho ou pai, ela não pode conseguir emprego, ser aceita na escola, receber tratamento médico - nem em caso de emergência - viajar, alugar casa, comprar carro, abrir conta em banco, começar um negócio, nada. Todos os aspectos da nossa vida são controlados. Queremos ser cidadãs plenas, vistas como pessoas maduras, como os homens, mas nos tratam como crianças irresponsáveis. Nos últimos meses, mulheres têm protestado por mais emprego. Às vezes, grupos de jovens vão aos reitores de universidades exigir que sejam aceitas. Outras protestam pela libertação de prisioneiros, geralmente maridos ou filhos. Mulheres até vão à rua defender causas como essas, mas não para refutar a lei da guarda masculina.
O NYT informou que 58% dos universitários sauditas são mulheres. Qual é a participação delas no mercado de trabalho?
Mais mulheres do que homens têm diploma, especialmente bacharelado, na Arábia Saudita, mas o país tem a maior porcentagem de mulheres desempregadas do mundo. Alguns cargos são estritamente para homens, então elas nem podem se candidatar. E as empresas preferem contratar homens porque não têm que pagar tantos benefícios relacionados à maternidade. As famílias também não gostam de ver as filhas ou esposas trabalhando com homens e pressionam para que fiquem em casa.
De que maneira a Primavera Árabe está repercutindo em seu país?
Todos os amigos dos reis sauditas estão caindo e eles estão preocupados. Por isso mandaram forças militares ao Bahrein para tentar abafar o levante. Quando o presidente egípcio estava caindo, o rei Abdullah voltou do exterior, onde passava por tratamento médico, e tentou apaziguar os ânimos dos sauditas com dinheiro. Aumentou os salários dos funcionários públicos, especialmente da indústria do petróleo. E US$ 130 bilhões foram liberados para gastos públicos numa estratégia de calar o povo e ganhar tempo. Mas as pessoas estão se mobilizando no Facebook e criticando a realeza, pressionando para que ela reveja leis e dê mais oportunidades para os pobres melhorarem de vida. A imigração, atrelada ao desemprego, é motivo de grande insatisfação por aqui. Enquanto 8 milhões de trabalhadores na Arábia Saudita são estrangeiros, 28% dos homens não tem emprego porque é mais barato contratar um filipino que um saudita. Nosso país é de jovens, 60% da populaç ão tem menos de 25 anos, porque a taxa de natalidade é alta. Somo famílias grandes. Esses jovens precisam de escola, emprego, casa para começar a família. Hoje 80% dos sauditas vivem de aluguel pois não conseguem comprar um imóvel.
O rei Abdullah já tem 88 anos. Seu sucessor, o príncipe Sultan, de 87, está doente. O seguinte na linhagem é o príncipe Nayef, o mais conservador dos três. Que esperar do futuro do governo saudita?
O rei diz que vai viver mais 20 ou 30 anos, mas isso é sonho dele. É difícil prever qualquer coisa quando se trata da família real, eles são dissimulados. Quase ninguém houve mais falar do príncipe Sultan, internado há mais de três meses, mas a família toca o dia a dia como se tudo estivesse bem, business as usual. Muita gente está preocupada com Nayef e acha que teremos mais restrições quando ele assumir. Imagino que no começo ele vá fazer concessões e dar sinais de abertura. É assim que agem todos os reis sauditas no começo do reinado, dão presentes ao povo porque querem conquistar sua simpatia. Nayef comanda o Ministério do Interior, todas as polícias e forças de segurança estão sob seu comando e ele é da ala mais conservadora do governo.
Em um artigo, você diz que depois dos ataques nos EUA em 2001 o governo saudita ficou envergonhado do papel de seus cidadãos no atentado e, para melhorar a imagem do país, liberalizou um pouco. De que forma?
Tivemos avanços. Os jornais estão cheios de denúncias de corrupção, a imprensa pode criticar mais os ministros e questionar tradições. Isso era impensável há dez anos. Surgiram as primeiras apresentadoras de TV, âncoras de programas de política, mostrando o rosto. Antes, mulheres só podiam escrever para jornais e suas fotos não eram publicadas. Em termos de emprego, algumas ocupações antes restritas aos homens começam a ser abertas às mulheres. E as regras para a emissão de fatwas mudou. Antes, qualquer sacerdote podia emitir uma fatwa. Agora, um conselho de teólogos precisa examiná-las. Esse é um avanço menor, admito. Mas nesta década tivemos a primeira mulher ministra, Norah al-Faiz, da Educação. Mulheres também podem, em alguns casos, morar num apartamento alugado sem a permissão de um homem. Isso é muito importante, especialmente para vítimas de violência doméstica. O rei criou a universidade Rei Abdullah, a primeira e única onde mulhere s e homens podem estudar e trabalhar juntos. Portanto, algumas mudanças sutis estão ocorrendo, mas muito ainda precisa mudar.
O processo de divórcio foi simplificado?
A Corte Suprema já fez o pedido ao rei para revisar a lei do divórcio, mas até agora nada foi feito. A mulher precisa da autorização do pai para se separar. Já para o homem basta dizer "eu me divorcio de você" e pronto. Ou nem isso: pode mandar outra pessoa avisar a mulher da separação. Quando elas se divorciam, quase sempre perdem a guarda dos filhos e a casa. O homem pode ter até quatro esposas, sem precondições, mesmo se for pobre e mal conseguir se sustentar. Elas são forçadas a uma vida de miséria. Mulheres não são identificadas quando vão ao tribunal, cobertas pelo véu. Quem valida sua identidade é o acompanhante e por isso acontecem muitos casos de fraude. Por exemplo, uma filha acaba de receber a herança do pai. O irmão leva uma mulher qualquer ao tribunal, diz que é a irmã e que ela está doando todo o dinheiro a ele. Os juízes não conferem a identidade da mulher porque é considerado vergonhoso ver o rosto de uma desconhecida, e os tribu nais não contratam funcionárias para conferir quem está debaixo daquele pano.
Você foi muito ativa para anular o casamento de uma menina de 8 anos com um homem de 50. Casos como esses são comuns?
São cada vez mais raros. Certamente acontecem no interior e em comunidades mais religiosas, mas não ficamos sabendo. Estamos militando pela a aprovação de uma lei que fixe uma idade mínima para o casamento. Nesse caso que você mencionou, a mãe da garota foi crucial para conseguir o divórcio da filha. Ela batalhou muito, foi aos jornais e contou a história. Foi assim que nós, da Sociedade de Defesa dos Direitos da Mulher, ficamos sabemos e pudemos ajudar, promovendo uma campanha internacional. Essa mãe tinha acabado de se divorciar. É comum que casos de casamento de crianças estejam associados ao divórcio dos pais. O homem fica com a guarda das crianças e se desfaz das filhas em uniões arranjadas. Alguns até as vendem.
É forte a participação das mulheres no movimento pela emancipação feminina?
Está melhorando. Antes, quando eu conversava com as mulheres sobre nossos direitos elas diziam que eu estava errada, a vida delas era confortável, estava tudo ok. Agora, a consciência de que estamos sendo diminuídas, desumanizadas e exploradas é maior. O melhor nível de educação das mulheres e a internet ajudaram muito. Elas estão por aí, organizando-se pelo Facebook, esperando a hora de serem ouvidas.
O véu que cobre o rosto da mulher é obrigatório em todas as ocasiões?
Nas escolas e nas repartições públicas, sim. Mas nos shoppings ou na rua, não. Antes, há talvez uns dez anos, era proibido por lei andar sem véu. Hoje são as famílias que decidem. Como os sauditas são conservadores, quase todas cobrem o rosto. Tomo a mim mesma como medida e digo: elas não estão felizes. Este é um dos países mais quentes do mundo, 38°C todo dia. Roupa preta não faz o menor sentido. Os homens só andam de branco, o que é mais adequado ao clima. A maioria das mulheres é forçada a se cobrir. Minha irmã é uma delas, seu marido exige. Há anos eu não uso mais preto ou cubro o rosto. Quando vou ao shopping, sou a única mulher de rosa ou branco. Sempre fui a diferente e continuo assim. Quero mostrar às mulheres que nossa vida pode ter muito mais cor.

Ativista pelos direitos da mulher diz que as sauditas cansaram de ser tratadas como ‘crianças irresponsáveis’.

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Curso de especialização em danças orientais reponde demanda por profissionalização

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A pesquisadora e dançarina Cristina Antoniadis tem larga experiência na performance e no ensino das danças orientais. Em 2012, Cristina coordenará um curso de especialização voltado para a profissionalizar quem já pratica danças orientais.
A atividade, que tem apoio do ICArabe, acontecerá ao longo de cinco meses, no Pandora Espaço de Danças. 
Na entrevista a seguir, Cristina fala sobre o aumento da procura por cursos de danças orientais no Brasil e no mundo, e também sobre a demanda por profissionalização que este fenômeno acarreta.
Qual será o conteúdo do curso de especialização em danças orientais? Além de aulas práticas, haverá momentos dedicados ao estudo teórico do assunto?
O curso de especialização será muito rico em conteúdo, contendo uma grande parte da carga horária destinada ao estudo teórico dos diversos assuntos e questões que as danças árabes englobam. O curso será dividido em três módulos de cinco meses de duração, sendo que o primeiro módulo será praticamente teórico abordando não somente a teoria relacionada á música e a dança, mas também aspectos históricos, geográficos e culturais.
O curso será profissionalizante. Qual é a importância de profissionalizar a prática das danças orientais no Brasil?
O número de pessoas interessadas nestas danças tem aumentado de forma considerável nos últimos anos, e isso é um fenômeno mundial. Devido a este fato é crescente também o número de professores e bailarinos que têm esta atividade como profissão. Entretanto nem todos têm acesso às informações necessárias para a prática e difusão destas danças de forma adequada. Saber executar os passos de determinada dança não é o suficiente, ainda mais a dança oriental árabe que carrega consigo não somente os movimentos, mas também inúmeros aspectos culturais, musicais e históricos relacionados, sem contar as lesões corporais que pode causar se for praticada de forma inapropriada. Por isso se faz necessário um curso que permita aos interessados em ter esta atividade como profissão um embasamento mais profundo do significado, contexto e tradições na qual estão inseridas. Outro aspecto que o curso irá abordar é o da prática da profissão de forma legalizada, ou seja, como o profissional pode se respaldar na lei para ter acesso aos direitos de qualquer trabalhador, bem como também assuntos relacionados à administração, marketing, direito contratual etc.
Existe uma estimativa de quantas pessoas praticam danças orientais no Brasil ou em São Paulo? Qual a porcentagem delas pode ser considerada profissional?
Infelizmente não existe nenhum estudo sobre o número de praticantes de danças orientais árabes e profissionais desta área no Brasil ou em São Paulo, por isso não temos esta estimativa. Entretanto, sabemos que o número de escolas especializadas e academias de danças é crescente. Para se ter uma idéia, o maior festival de danças orientais árabes da América Latina ocorre em São Paulo, uma vez ao ano, e recebe por volta de 10 mil pessoas. São três dias de festival, nos quais são apresentados mais de 400 números de danças orientais. O festival acontece no mês de abril e as inscrições esgotam-se já em janeiro. Sem contar os festivais menores que ocorrem todos os meses do ano. Não podemos esquecer também das inúmeras festas árabes, noites temáticas e eventos nos quais os organizadores sempre contam com as danças orientais. Tudo isso nos permite ter uma idéia da dimensão que a dança esta tomando, o que é maravilhoso, desde que executada e transmitida de forma adequada.
De que forma a prática da dança de forma amadora e sem o conhecimento teórico prejudica a difusão da cultura oriental?
De forma avassaladora, criando estereótipos pejorativos e depreciando uma arte tão bonita e rica. Devido a este amadorismo a dança oriental ainda é vítima de muitos preconceitos, inclusive dos próprios árabes e descendentes, que acabam se distanciando da própria cultura, e isto é muito triste.
O Pandora Espaço de Danças tem se firmado como espaço de difusão sério e comprometido das danças árabes e orientais. Existe muita procura por esse tipo de curso e qual é o público mais frequente?
Na verdade, o Pandora é especializado em dança e música do Oriente Médio. A procura é grande. A dança oriental árabe clássica, a chamada “dança do ventre”, atrai mulheres de todas as idades, etnias e tipos físicos. Especificamente no Pandora o público é bastante interessado também nos aspectos culturais, musicais e históricos, o que me deixa muito feliz. A dança oriental clássica é um bálsamo para as mulheres de hoje, pois possibilita que elas entrem em contato com sua feminilidade, eleva a auto-estima, não exige padrões físicos e estéticos, e é um excelente e completíssimo exercício físico (queima em média 300 calorias por hora) ao mesmo tempo em que proporciona prazer. Por isso o público é muito variado. Existem alunas que querem apenas relaxar, outras que não gostam de academia e querem um bom exercício físico, algumas descendentes de árabes que querem resgatar suas origens, e existem também as que querem se apresentar em publico e/ou tornar-se profissionais.
Quais danças podem ser consideradas especificamente árabes e qual a diferença delas para as danças orientais como um todo?
Existem muitas danças que são de origem árabe. O mundo arabizado tem uma extensão geográfica muito grande e engloba diversos países, por isso temos danças que são comuns entre os árabes e outras não. O dabke, por exemplo, é uma dança folclórica muito típica do Líbano, Síria, Jordânia, Palestina e encontrada também de uma forma diferenciada no Iraque e até mesmo na Grécia, mas não é dançada no Egito, Tunísia, Marrocos. A dança khaligee é bem específica do Golfo Pérsico, e por aí vai. Já a dança oriental árabe clássica, raks el shark, é uma dança em comum dos muitos povos árabes e vai além, pois também é encontrada na Turquia, Grécia, Armênia, Irã e outros. Quando usamos o termo dança oriental, na verdade estamos traduzindo do árabe “raks el shark”, o que pode confundir com as danças do extremo oriente, ou indianas, mas estas são outras modalidades de dança, por isso prefiro usar a expressão dança oriental árabe.
Quais serão os períodos de realização dos módulos do curso?
O curso terá três módulos de cinco meses cada, um domingo por mês com carga horária de seis horas. O curso inteiro totalizará 90 horas aula. O primeiro módulo tem início previsto para fevereiro de 2012. Os módulos serão divididos da seguinte forma:
Módulo 1 – “SABER” Conceitos de Base
Temas - História geral, história da dança, história da música árabe, estrutura da música árabe, ritmos, anatomia e fisiologia, princípios do ballet clássico, aspectos culturais e essenciais que diferenciam a dança oriental da ocidental.
Módulo 2 – “SENTIR” Dança Oriental, Folclores e Particularidades
Temas - Dança Baladi, Popular, “Raksa”, Dança Cênica, Instrumentos de cena, Folclores (dabke, raks al assaya, zaar, khaligee, jarro), Técnicas corporais avançadas, Gestuais e significados, dança coreografada e dança improvisada.
Módulo 3 – “FAZER” Profissionalização e Diferencial
Metodologia de ensino para níveis diferenciados de aprendizagem, preparação para cena, palco e luz, como montar um show, a importância e preparação para obter o DRT, conceitos básicos de administração, marketing e direito, ética profissional, leitura musical avançada, desenvolvimento do estilo pessoal e preparação para a música ao vivo.
O público alvo do curso são pessoas praticantes de danças orientais que já estejam em nível avançado e que queiram se profissionalizar, bem como professores que gostariam de aprofundar e reciclar seu conhecimento no assunto. As vagas serão bem limitadas de modo a não prejudicar a qualidade do aprendizado. O corpo docente é altamente selecionado. Os professores confirmados são Cláudia Parolin (bailarina), Cláudio Kairouz (músico), Cristina Antoniadis (pesquisadora e dançarina), Fadua Chuffi (bailarina), Leandra Yunis (historiadora e dançarina), Hanna Hadara (bailarina), Márcia Dib (pesquisadora e dançarina), Sami Bordokan (músico), William Bordokan (músico) entre outros.

A pesquisadora e dançarina Cristina Antoniadis tem larga experiência na performance e no ensino das danças orientais. Em 2012, coordenará um curso de especialização voltado para a profissionalizar quem já tem prática na área. A atividade, que tem apoio do ICArabe, acontece ao longo de cinco meses, no Pandora Espaço de Danças. 

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